NOVO ANO VELHO... QUANDO A INDIGNAÇÃO VIRA HÁBITO E O ABSURDO VIRA ROTINA
Crônica NOVO ANO VELHO... QUANDO A INDIGNAÇÃO VIRA HÁBITO E O ABSURDO VIRA ROTINA Há uma mesmice política que não é só repetição de nomes ou discursos — é repetição de gestos vazios. Muda o palco, trocam-se os figurinos, mas o roteiro permanece intacto. Promessas recicladas, indignações seletivas, moral de ocasião. Tudo dito com a solenidade de quem não pretende cumprir nada. O cansaço não vem do conflito de ideias — isso seria até saudável. Vem da hipocrisia normalizada, do cinismo elevado a método, da mentira dita sem vergonha e ouvida sem espanto. Cansa fingir surpresa. Cansa fingir esperança. Cansa a encenação contínua de que algo essencial está para mudar, quando o sistema inteiro trabalha para que nada mude de verdade. É um esgotamento mais fundo ...